O telhado é uma das partes mais delicadas durante o trabalho de restauro de uma casa histórica. Antes mesmo da obra, fazemos a prospecção das peças onde conseguimos verificar a originalidade, que tipo de material foi colocado em cima e o grau de comprometimento. Posteriormente é que pode ser feita a manutenção e a conservação dos materiais constitutivos da cobertura.

Inicialmente, precisa-se verificar o estado de conservação dos materiais. Por isso, são inspecionadas todas as peças componentes da cobertura e analisada a estabilidade do telhado, resistência mecânica (se cada peça atende sua função) e se há ataques por xilófagos (cupins). Também buscamos sinais de umidade como consequência da entrada de água da chuva, fissuras ou rachaduras, empenamento e ressecamento dos materiais. No caso das telhas, buscam-se rachaduras, deslocamento ou perda, e estado de conservação do material e sujeiras presentes.

Fases do restauro de cobertura.

Cupins e falha na estrutura são problemas comuns

Os problemas mais comuns são a presença de xilófagos (cupins) e a perda de capacidade mecânica de peças estruturais. No caso dos xilófagos, se o comprometimento for total, a peça deverá ser substituída. Caso a presença de insetos seja pontual, as áreas afetadas são tratadas por desinsetização. Depois, as galerias são limpas e preenchidas com materiais adequados.

Se forem encontrados problemas de capacidade mecânica (funcionamento), há casos em que são utilizadas sambladuras para substituição das partes comprometidas da peça por outra com característica semelhante.

No caso do telhado, a prioridade é garantir a estabilidade da estrutura. Um elemento importante da restauração é a marca do tempo, onde os materiais contemporâneos também devem ser percebidos para que seja evitado o falso histórico. Assim, o ideal é encontrar materiais com características semelhantes àquelas da peça original, para que seja possível garantir a manutenção de sua função. O mercado oferece essa possibilidade.

A cobertura é o primeiro elemento a ser perdido em obras inadequadas de intervenção em bens tombados. Uma vez substituída – a menos que com forma, materiais e técnica absolutamente similares e compatíveis – a cobertura passará a apresentar uma série de problemas, principalmente com a entrada de água, o que demora a ser percebido e, normalmente, só é visto quando a alvenaria começa a apresentar problemas – já há umidade, por exemplo.

Fases do restauro de cobertura.