É comum o proprietário ou locatário de bem tombado ter receio sobre como fazer uma adaptação no imóvel. Muitas vezes, a reforma é necessária para melhorar o uso ou adequá-lo a novas tecnologias e necessidades. Dividir cômodos, inserir sanitários, alterar tomadas e pontos de luz ou mesmo instalar uma prateleira podem se transformar em um grande problema se não forem feitos corretamente. Selecionamos algumas dicas sobre possibilidades de adaptação de bens tombados a novas necessidades e usos, salientando que a orientação de um profissional capacitado é sempre a melhor opção:

Dividir cômodos

Imóveis históricos geralmente são compartimentados em grandes cômodos e às vezes é necessário dividir um deles para adequação a alguma nova necessidade. Um dos princípios a serem seguidos nesse caso é o da reversibilidade, ou seja, acréscimos no interior do imóvel deverão ser passíveis de remoção a qualquer tempo, com dano mínimo ou nulo ao bem. Isso é possível? Sim, graças às novas tecnologias disponíveis no mercado. Nesse caso, o mais indicado é a parede de gesso acartonado ou divisórias em eucatex. A fixação tem pouca interferência no imóvel e, no caso do gesso acartonado ou dry-wall, o acabamento fica semelhante ao de uma parede em alvenaria. Lembrando que, antes de inserir qualquer novo elemento, é fundamental a avaliação do peso que o mesmo representa para a estrutura do prédio, ou seja, são suas paredes. No próximo item explicamos isso.

Foto 01 – Paredes em gesso acartonado finalizadas aguardando pintura de acabamento. Fonte: http://stockgesso.com.br

Derrubar paredes

Alterar a configuração de uma casa histórica através da demolição de elementos, apesar de parecer um grande negócio em termos de ampliação de área, pode se transformar em uma tremenda dor de cabeça. Isso porque normalmente as paredes desses edifícios são estruturais, ou seja, são responsáveis por sustentar todos os pavimentos do imóvel e a própria cobertura. Como consequência dessa função estrutural, as paredes desses edifícios são muito grossas, já reparou? Assim, a supressão de uma parede pode representar um risco estrutural sério para o imóvel e seus usuários. Dessa forma, se for realmente necessária a supressão de uma parede para que seu imóvel tombado permaneça em uso, busque a orientação com arquitetos restauradores.

Novos pontos de eletricidade

Edifícios históricos são naturalmente bem ventilados e iluminados, afinal, é uma arquitetura concebida para proporcionar esse tipo de conforto. Ainda assim, com a chegada de internet, condicionadores de ar e computadores é necessária a ampliação da rede elétrica e sua capacidade. Nova instalação elétrica é possível devendo, no entanto, ter sua passagem realizada através de conduletes em PVC ou alumínio externos às paredes.

Foto 02 – Ao fundo contrastando com a parede azul, canaletas para passagem da instalação elétrica externas às alvenarias.  Conheça mais sobre esse projeto aqui

Prateleiras

Instalar prateleiras diretamente na parede não é uma boa ideia. Como já falamos, as paredes são autoportantes e qualquer esforço extra pode ser prejudicial. Além disso, os materiais que compõem essas paredes são muito frágeis a perfurações e esforços, e a estabilidade fica comprometida com a instalação desses elementos. Então, o que fazer? O ideal é sempre deixar as paredes liberadas. Hoje encontra-se estantes com prateleiras, de design e estilo variados no mercado.

Foto 02 – Tipos de estantes disponíveis no mercado para atender a necessidade de utilização de prateleiras sem fixação das mesmas nas paredes. Fontes: www.portobello.com.br (esq.) e www.tricae.com.br (dir.)

Pintura

Já reparou como é comum encontrar edifício antigos com pintura descascada e reboco descolado, principalmente próximo à base das paredes? Essa é a questão em que menos há dúvidas e que, em função disso, mais gera incômodos a proprietários de bens tombados. Isso porque uma boa pintura depende de uma base (reboco) preparada para recebê-la. No caso de imóveis históricos esse reboco é composto de areia, cal e água e, às vezes, argila. Atualmente, utilizamos reboco à base de cimento que, quando aplicado em uma parede antiga, prejudica a saída de umidade existente na própria parede ou sua base, e gera problemas de reboco e pintura. Então, se você não quiser trocar a pintura do seu imóvel histórico a cada 12 meses, é melhor usar tinta mineral a base de cal ao invés de tinta acrílica. No entanto, essa pintura só será eficiente e duradoura se o reboco usar traço a base de cal, areia e água.